FRATURAS, LUXAÇÃO E CONTUSÃO




1.Introdução


O conhecimento básico sobre lesões músculo-esqueléticas como contusão, luxação, e fraturas é de extrema importância para acadêmicos de fisioterapia. Ao pesquisar sobre o tema é possível perceber se há um interesse maior pela área, podendo ate mesmo auxiliar na escolha de uma futura especialização.
Além disso, estas lesões possuem um alto índice de ocorrência, sendo interessante todo o profissional da saúde saber como proceder diante de um episódio típico do tema citado.




2- Desenvolvimento


2.1- Fraturas

2.1.a Definição e tratamento imediato


Uma fratura de um osso é simplesmente uma quebra estrutural de sua continuidade. Os ossos são circundados por tecidos moles , sendo assim, uma fratura poderá provocar uma lesão nesses tecidos. O osso vivo normal, possui um certo grau de elasticidade, sendo passível de sofrer uma ligeira angulação. A maioria das fraturas representa falhas tencionais do osso, visto que o osso realmente sofre arrancamento ou desgarro em função de forcas tencionais de angulação, torção ou tração. Assim, uma força de flexão leva o osso longo a uma angulação ligeira e se essa for suficientemente grande, poderá produzir uma fratura, Que pode ser do tipo transversa ou obliqua. Em crianças pequenas, o osso cortical é parecido com a madeira verde de uma árvore jovem; uma força angulatória pode produzir falha tensional no lado convexo da curva e apenas angulação no lado côncavo da fratura em galho verde. O osso esponjoso é mais suscetível a forças de esmagamento do que o osso cortical e, consequentemente pode produzir uma fratura por esmagamento, na qual uma superfície da fratura é impedida ou impactada contra a superfície oposta da fratura. As fraturas podem ser divididas em três tipos: completa, incompleta ou cominutiva. São descritas como:
- Fratura completa: ocorre quando a fratura se da em toda a superfície do seguimento ósseo, ficando o mesmo dividido em duas partes distintas. Se a divisão permanece perpendicular ao segmento ósseo, é denominada transversal; se as partes do osso formarem dois segmentos cortantes, podendo romper tecidos ou vasos, é denominada obliqua, e se for causada por um movimento de torção do segmento ósseo, podendo também ocorrer o rompimento de tecidos pelas pontas cortantes dos ossos, é chamada de espiral.
- Fratura incompleta: é quando a fratura ocorre em apenas partes da superfície óssea ficando os dois segmentos ainda interligados. Se houver apenas trincamento do osso é denominada de fissura; se o osso encontrar-se em parte quebrado e em parte dobrado, como ocorre ao dobrar-se um ramo verde, é denominado galho-verde, sendo mais comum em crianças.
- Fratura cominutiva: é um tipo de fratura ocorrida normalmente, por ação de uma violência externa, causando o esmagamento do osso, surgindo assim, vários fragmentos entre as dias seções ósseas.

Além dessa classificação , as fraturas ainda podem ser classificadas em:
- Fratura exposta: quando o osso quebrado rompe a pele.
- Fratura fechada: quando não há perfuração da pele.

2.1.b Sintomas e Procedimento de Imobilização

Geralmente as fraturas são acompanhadas de dor, inchação no local, dificuldade de movimentação, sensação de atrito das partes ósseas no local da fratura, além de posição anormal da região atingida. O procedimento a ser seguido depende se a fratura é do tipo exposta ou fechada. No primeiro caso, deve-se manter a pessoa em repouso, utilizando para a imobilização uma tábua, papelão, manta, tiras de pano, entre outros. Para evitar possíveis danos à pele, recobri-la com pano ou algodão. Fazer a imobilização de modo que as talas atinjam as dias articulações proximais à fratura., amarrar as talas com ataduras ou tiras de pano, com firmeza mas sem apertar, nos seguintes locais: acima e abaixo do local da fratura e das articulações mais próximas. No segundo caso, deve-se também a pessoa em repouso, estancando a hemorragia e fazendo um curativo protetor sobre o ferimento, usando compressa, lenço ou pano limpo. Imobilizar a região fraturada e em ambos os casos, remover a pessoa para um hospital mais próximo.

2.1.c Consolidação das fraturas

O tempo requerido na consolidação das fraturas é extremamente variável, levando-se em conta os seguintes fatores:
- Idade do Paciente: o ritmo de reparação se torna progressivamente menor a cada ano da infância, não variando muito a velocidade de um adulto jovem para um mais idoso.
- Local da fratura: fraturas circundadas por músculos consolidam mais rapidamente do que as que ocorrem em partes ósseas que tem situação subcutânea ou intra-articular.
- Suprimento sangüíneo dos fragmentos: quanto maior o suprimento sangüíneo para um determinado fragmento, melhor será sua consolidação.

2.1.d Fisioterapia no Tratamento

A reabilitação de um paciente começa com o cuidado imediato de sua lesão , continua por meio do tratamento de emergência, passa ao tratamento definitivo, ate que seja restituída ao paciente a função normal ou mais normal que a lesão permita. Quanto maior o grau de função que possa ser preservado durante o tratamento da fratura do paciente, menor será o grau funcional a ser restaurado. O fisioterapeuta deve preocupar-se com a prevenção de possíveis atrofias dos músculos que não estão sendo utilizados, sendo assim necessário um programa de exercícios ativos estáticos (isométricos), nas dos músculos que controlam as articulações imobilizadas e exercícios ativos e dinâmicos de todos os outros músculos do membro ou tronco afetados. Após o período de imobilização externa da fratura , os exercícios ativos devem ser continuados ate mesmo mais vigorosamente, ate que a força muscular normal e a mobilidade tenham sido recuperadas.


2.2- Luxação

2.2.a Definições e Causas

A luxação de uma articulação ocorre quando as superfícies articulares ficam completamente separadas uma das outras, de modo que se perde toda a aproximação. As causa mais comuns das luxações é o trauma. A mal formação congênita das superfícies articulares resulta nestes tipos de lesão. Muitas Luxações traumáticas estão associadas a fraturas tais como do cotovelo, tornozelo e das vértebras. Muitas vezes, as luxações são acompanhadas por graves danos nos tecidos moles, por causa de estiramento ou ruptura das estruturas ao redor da articulação. Os ligamentos também podem se rompidos, parcial ou totalmente, exigindo assim, reparo cirúrgico. Os músculos, tendões, bainhas sinoviais e cartilagens também podem ser danificados.

2.2.b Sintomas

Imediatamente surge uma dor intensa que é pior que a sentida com a fratura. O paciente tem a sensação da quebra ou estalido de osso, que ocorre na fratura. Pode haver uma deformidade nítida, porque o contorno normal da articulação pode ser modificado. Porem pode haver ocasiões em que a deformidade não é discernível ou há uma fratura associada , que pode fazer com que a luxação seja negligenciada. Após algum período de tempo, outras características podem surgir, tais como: Tumefação, que ocorre como resultado do rompimento dos tecidos moles e com reação inflamatória; contusão, que é devida ao extravasamento de sangue dos vasos lesado; rigidez, que é o desenvolvimento de aderências, podendo criar problemas na recuperação da função E por último, fraqueza muscular, ocorrendo nos músculos ao redor da articulação. Os tipos de luxação mais comuns ocorrem nas articulações do ombro, cotovelo e quadril. Na articulação do ombro a luxação ocorre principalmente em adultos e pode ocorrer como resultado de choque direto, ou indireto. Esse ultimo tende a produzir uma luxação anterior, na qual a cabeça do úmero é deslocada para frente e a seguir fica na fossa infraclavicular logo abaixo do processo coracóide. Esse choque indireto pode ocorrer de uma queda sobre a mão em hiperextensão. O choque direto pode produzir uma luxação posterior , onde a cabeça do úmero é deslocada para trás e pode ficar abaixo da espinha da escápula, na fossa infra-espinhosa. É comum ocorrer em conseqüências de ataques epilépticos .Além desses tipos, existe também a luxação recidivante. Essa ocorre quando a lesão provocada pela luxação não cicatriza, acarretando em uma nova luxação. Ë mais comum em jovens pelo fato de o trauma inicial ser geralmente mais grave e por estes serem mais ativos, praticarem esportes. Se a reluxação for muito freqüente e prejudicar as atividades normais do individuo, recomenda-se a cirurgia. A luxação da articulação do cotovelo, ocorre com o deslocamento do radio e da ulna posteriormente ou postero-lateralmente, devido a uma queda com a mão em hiperextensão, Após a redução da luxação o membro de ficar imobilizado com uma lata de gesso posterior, com o cotovelo flexionado em aproximadamente 90º , por cerca de três semanas. A luxação do quadril é incomum já que este possui uma articulação esferóide mais estável e protegida por ligamentos fortes. A luxação neste local ocorre geralmente em acidentes de motocicleta ou de carro em que a pessoa encontra-se sentada e um choque direto na região anterior do joelho força a coxa para trás, resultando em luxação posterior do quadril. Após a redução da mesma, o paciente é colocado em tração leve por 3 a 6 semanas. Os movimentos ativos são iniciados logo que a dor permita e continuam depôs que a tração é removida se necessário.

2.2.c Tratamento Fisioterapêutico

O tratamento difere de acordo com a idade dos pacientes. Nos mais idosos, o mecanismo que causa a luxação pode ser relativamente simples, pois os músculos podem ser mais fracos na pessoa idosa e o manguito rotator pode não proporcionar a mesma estabilidade à articulação do ombro. Nesses caso , o dano no tecido mole pode não ser tão extenso e o tratamento deve começar no dia seguinte àquele em que a luxação foi reduzida. Nos primeiros dias de tratamento deve-se concentrar no movimento de dedos, punho, cotovelo e cintura escapular. As vezes, o calor e a massagem podem ajudar no relaxamento e possibilitam ao paciente iniciar movimentos suaves com o ombro. Ë importante também enfatizar a restauração do arco de movimento e da função pois muitos idosos desenvolvem ombro rígido se a mobilização não for precoce. Nos pacientes jovens não há o mesmo risco de desenvolver ombro rígido e o ombro pode permanecer enfaixado junto ao tórax para permitir cicatrização dos tecidos moles. Durante esse tempo ,o paciente deve ser aconselhado a realizar contrações estáticas nos músculos ao redor do ombro. Após a eliminação do enfaixamento o fisioterapeuta deve trabalhar reforçando os adutores e os rotatores mediais. A reabilitação final depende das necessidades do indivíduo. O tratamento fisioterapêutico para luxação de articulação do cotovelo ocorre imediatamente após o trauma , observando se há qualquer deterioração da circulação ou qualquer perda da sensibilidade ou forca muscular que pode resultar em lesão do nervo .Após a retirada do aparelho de contenção, deve-se dar ênfase à reaquisição do arco de movimento e potência muscular. Não se deve praticar estiramento passivo e o fisioterapeuta deve aconselhar o paciente sobre o tipo de atividade que pode ser realizada. Na luxação do quadril, durante o período de tração , o paciente deve fazer exercícios ativos para o quadril , joelho e pé, para reassumir o arco de movimento e a potência muscular. Removida a tração, o paciente deve fazer exercícios ativos para o quadril, joelho e pé, para reassumir o arco de movimento e a potência muscular. Removida a tração, o paciente deve começar a andar, sendo o apoio com carga parcial progressiva ate o apoio total.


2.3- Contusão

A contusão é o resultado de um forte impacto na superfície do corpo. É uma área afetada por uma pancada ou queda mas sem ferimento externo. Pode causar uma lesão nos tecidos moles da superfície , nos músculos e ligamentos articulares. Algumas lesões são extremamente profundas, sendo difícil determinar a sua extensão. Os sintomas mais comuns na contusão são hematomas e dor na área afetada.

2.3.a Tratamento Imediato
No caso de uma contusão e para amenizar seus efeitos, pode-se improvisar uma tala ou mesmo uma tipóia. A primeira deve-se amarrar delicadamente o membro machucado à uma superfície , como uma tábua, revista dobrada, vassoura. entro outros, usando tiras de panos, ataduras ou cintos, sem apertar muito para ano dificultar a circulação sangüínea . Já a tipóia é feita utilizando um pedaço grande de tecido com as pontas presas ao redor do pescoço. Isto serve para sustentar um braço em casos de fratura de punho, antebraço, cotovelo, costelas ou clavícula. Somente usar a tipóia se o braço ferido puder ser flexionado sem dor ou se já estiver dobrado.




3-Conclusão

Qualquer indivíduo normal está susceptível a sofrer lesões como fraturas, luxações e contusões a todo o momento. Devido ao alto índice de ocorrência desses tipos de lesão músculo-esqueléticas, é importante que todo o profissional da saúde tenha plenos conhecimentos do assunto e principalmente nós, fisioterapeutas, que estaremos trabalhando diretamente para a reabilitação de pacientes com essas enfermidades, visto que o tratamento quando bem realizado é simples e eficaz, mas se do contrário pode acarretar em debilitações e restrições de movimentos no local afetado.




4- Referências Bibliográfica


1. SALTER, Robert. B. Fraturas e Lesões Traumáticas Articulares – Características Gerais. In: SALTER, Robert. B. Distúrbios e Lesões do Sistema Músculo-esquelético. 3.ed. Rio de Janeiro: Médica e Científica Ltda., 2001. Cap.15, p. 425-507.
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3. GOULD III, James A. O ombro. In: HALBACH, John W.; TANK, Robert T. (Org). Fisioterapia na Ortopedia e na Medicina do Esporte, 2.ed. São Paulo: Manole, 1993. Cap.20, p.479-516.
4. THOMSON, Ann; SKINNER, Alison; PIERCE, Joan. Luxações. In: THOMSON, Ann; Skinner, Alison; PIERCE, Joan. Fisioterapia de Tidy. 12.ed. São Paulo: Santos livraria, 2002. Cap.5, p.33-37.
5. http://www.cooperbom.com/primeiros_socorros/fraturas.htm
6. http://www.cooperbom.com/primeiros_socorros/contusoes.htm
7. http://www.wgate.com.br/conteudo_fisioweb.asp?p=blair_art8.